É uma ilusão.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
... Line...
É uma ilusão.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Nem todo vampiro chupa sangue
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Gato...
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Tabacaria
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
My hope... the destroyer
Weeping with you. Arms around them
sábado, 11 de dezembro de 2010
My shame
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Se você me odeia...

Vai ver é porque sou mal educada
Vai ver é porque quando eu bebo eu sou uma e quando acordo sou outra
Vai ver é porque eu manipulo, minto e crio situações dramáticas
Vai ver é porque eu sou chata pra caralho!
Vai ver é porque eu entupo as pessoas de poemas, músicas e abraços inesperados
Vai ver é porque eu brigo com quem eu gosto
Vai ver é porque eu amo quem não me ama.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Um sonho lúcido
E sabe o que é pior?
Que amanhã eu ainda vou estar aqui
De todas as vezes em que me matei, nenhuma você me salvou
E tudo se repete
E eu ainda te amarei
(mesmo que em sonhos)
Eu te sinto
Tanto quanto te minto
Porque contigo eu me permito
Estar plenamente em absinto
No mais tudo consiste
Em meros palpites
Mesmo que eu acredite
Que você, só pra mim existe.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Deep Blue
Eu não espero, nem quero que gostes de mim à maneira que gosto de ti.
Pois gosto tanto de ti, que não espero, nem quero que sintas essa angústia, esse "não saber o quê fazer".
Nunca vi o amor como uma coisa boa, e de fato ele não é.
Eu não tenho amor pra te dar.
A tua "não presença" me incomoda, no entanto, não sinto a tua falta. Talvez eu não sinta falta de nada. Poderia alguém sentir falta de algo que nunca teve?
Mas eu espero e eu quero, que tu me enxergues, que vejas algo além dos cinco sentidos. Quanto mais eu tento mostrar, mais misteriosa eu fico. Não sei me expressar; sou ambígua e talvez isso faça parte de todo encantamento.
Sou um lago azul, profundo e gelado. Se tu, por ventura caíres nesse lago, só sairás morto ou muito debilitado; então aproveite cada segundo em quem minha água entra no teu corpo... te consumindo e carregando para as profundezas do sono eterno.
domingo, 31 de outubro de 2010
A Genialidade da Multidão

Há bastante deslealdade, ódio,
violência,
Absurdo no ser humano comum
Para suprir qualquer exército em qualquer dia.
E O Melhor No Assassinato São Aqueles
Que Pregam Contra Ele.
E O Melhor No Ódio São Aqueles
Que Pregam AMOR
E O MELHOR NA GUERRA
–FINALMENTE–SÃO AQUELES QUE
PREGAM
PAZ
Aqueles Que Pregam DEUS
PRECISAM de Deus
Aqueles Que Pregam PAZ
Não têm paz.
AQUELES QUE PREGAM AMOR
NÃO TÊM AMOR
CUIDADO COM OS PREGADORES
Cuidados com os Sabedores.
Cuidado
Com Aqueles Que
Estão SEMPRE
LENDO
LIVROS
Cuidado Com Aqueles Que Detestam
Pobreza Ou Que São Orgulhosos Dela
CUIDADO Com Aqueles Que Elogiam Fácil
Porque Eles Precisam De ELOGIOS De Volta
CUIDADO Com Aqueles Que Censuram Fácil
Eles Têm Medo Daquilo Que Não Conhecem
Cuidado Com Aqueles Que Procuram Constantes Multidões; Eles Não São Nada Sozinhos
Cuidado
Com O Homem Comum
Com A Mulher Comum
CUIDADO Com O Amor Deles
O Amor Deles É Comum, Procura O Comum
Mas Há Genialidade Em Seu Ódio
Há Bastante Genialidade Em Seu
Ódio Para Matar Você, Para Matar
Qualquer Um.
Sem Esperar Solidão
Sem Entender Solidão
Eles Tentarão Destruir
Qualquer Coisa
Que Seja Diferente
Deles Mesmos
Incapazes
De Criar Arte
Eles Não Irão
Compreender Arte
Eles Vão Considerar Sua Falha
Como Criadores
Apenas Como Uma Falha
Do Mundo
Incapazes De Amar Completamente
Eles Vão ACREDITAR Que Seu Amor É
Incompleto
E ELES VÃO ODIAR
VOCÊ
E Seu Ódio Será Perfeito
Como Um Diamante Brilhante
Como Uma Faca
Como Uma Montanha
COMO UM TIGRE
COMO Cicuta
Sua Mais Fina
ARTE
(Charles Bukowski)
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Continuação do conto "Amanda"

Cap. 2 O Copo D'água
Amanheceu o domingo para Amanda. O sol inundava de luz o porão velho e sujo, seus olhos estavam inchados e turvos, o pesadelo ainda não acabara.
O ranger da escada fez o coração dela disparar e os olhos procurar de onde vinha o ruído. M. trazia consigo um copo com água, apenas água.
Os olhos dela buscavam os olhos dele, mas por nenhum instante ele a fitou.
Ele diz: não grite.
Ele tira a mordaça, desacorrenta um pulso e entrega o copo d'água para Amanda, ela leva o copo até os lábios mas num impulso atira a água no rosto de M.
Silêncio.
Ele amordaça-a novamente enquanto a desobediente Amanda se debate com todas suas forças, em vão.
Amanda chorou pela primeira vez.
Suas coxas estavam retraídas e as lágrimas brotavam de seus olhos. M. arrancou sua calcinha e pôs uma bacia embaixo das nádegas de Amanda. Ele sentou e a observou... prostrada à fazer suas necessidades fisiológicas... ao som de um choro de constrangimento e humilhação.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Ama(N)da

Cap. 1 O Plano
M. era um cara perturbado. Seus problemas obviamente não eram evidentes para os demais; alguns colegas de trabalho o achavam um pouco estranho com um semblante ora triste ora mal-humorado, mas nada fora do comum. M. não tinha muitos amigos e mesmo com os poucos que fizera ao longo da adolescência, com nenhum estabeleceu uma relação sólida para revelar seus segredos.
Quando chega o sábado, à noite ele vai procurar ela. Ela é a obsessão, é a dor e a cura das suas angústias. M. vai à bares em que Ela freqüenta só para observá-la de longe; ele pede algo pra beber, embora tome sequer um gole. Por um tempo ele pensou que era uma paixão, que era assim mesmo, que as pessoas se apaixonam mas não se declaram nem expressam os sentimentos de uma hora pra outra; mas o tempo foi passando e M. nunca conseguiu trocar uma palavra com sua "amada". Foi então que M. quis saber o quê afinal de contas sentia ele por Amanda, e ao rever seus pensamentos se deparou com seus piores medos.
M. nunca imaginou tratá-la como uma namorada, ou como qualquer outro homem à trataria; M. queria fazê-la sentir dor, ele queria ouvir seus gritos, gritos de medo e prazer. Isso o deixou assustado, mas depois se ele não a imaginasse sofrendo, um mau humor junto de uma dor de cabeça tomavam conta do seu dia.
Foi então que um plano foi traçado e tudo ocorreu com muito mais facilidade do que fora imaginado.
Após algumas "idas" ao tal bar que Amanda freqüentava, numa noite chuvosa ela se aproximou de M. e ofereceu uma bebida, ele recusou mas ofereceu-se para pagar o que ela quisesse. Eles sentaram numa mesa pequena num canto escuro, longe das outras pessoas. Amanda já estava embriagada e falava pelos cotovelos; M. muito atencioso à escutava sem fazer objeções, ele a deixou falar o quanto quisesse, aquilo estar acontecendo já era um grande passo para seu plano.
Chegada a hora de ir embora continuava chovendo bastante, M.ofereceu uma carona e Amanda prontamente aceitou. Passados 15 minutos dentro do automóvel, a moça dormira num sono profundo, e nesse momento M. a levou para sua casa, onde o porão já estava preparado para o dia em que Amanda nunca mais seria a mesma.
Cuidadosamente ele a tirou do carro e a carregou para dentro de casa (carregar o corpo quente e macio dela era sublime, melhor que isso só se ela estivesse gelada e rígida, pensava ele). Já na cama, suas mãos e pés foram amarrados com correntes e sua boca amordaçada. Chovia constantemente, estava tudo escuro e com o som de uma trovoada Amanda acordou-se.
Ela sabia que não era um sonho, por mais bêbada que estivesse, mas naquele momento ela não conseguia pensar muito menos se mexer; a luz de um raio iluminou a face do seu carrasco, que estava com os cabelos molhados sobre o rosto, e aqueles olhos azuis antes ternos agora pegavam fogo.
Ela gritou.
Era um som seco e gutural, vindo das suas entranhas e dos seus medos.
Ele se excitou.
Não tinha mais volta.
De súbito ele atirou o seu corpo contra o dela para sentir o cheiro e a respiração do seu objeto de desejo; ela, inutilmente tentava grunhir pedidos de socorro e isso o deixava cada vez mais excitado. M. voltou para sua cadeira aos pés da cama e com uma lâmina começou à fazer pequenos cortes em seu falo; Amanda ficou tomada pelo pavor, prevendo o que poderia lhe acontecer nos instantes seguintes. Com o pênis envolto em sangue, M. masturbava-se olhando fixamente para Amanda e ela tentava gritar sem cessar. Ele costumava se masturbar com freqüência após cortar-se; achava o sêmen um líquido desprezível, sem vida... ele desejava gozar sangue que é onde está a vida... e é onde a mesma se esvai.
Então por um instante ela parou de gritar e o encarou nos olhos e aquilo fez com que ele chegasse ao orgasmo, pois nesse momento um estava dentro do outro.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Mistério

Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.
Dos teus pálidos dedos delicados
Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende
Murmúrios por caminhos desolados.
Pelo meu rosto branco, sempre frio,
Fazes passar o lúgubre arrepio
Das sensações estranhas, dolorosas...
Talvez um dia entenda o teu mistério...
Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Nihil

Eu vou pensar em me matar
Eu vou tentar me matar
Eu vou chorar
Eu vou te odiar
E tudo vai passar
E meus dias ficarão preenchidos
Preenchidos com o vazio
Com o imenso vazio que te tornastes para mim
Contemplando cada gota de sangue que brota dos pulsos finos e cansados
Cansados de escrever tudo aquilo que você nunca irá saber
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Wish
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Queria que alguém me amasse...
Não.
Queria amar alguém...
Não.
Queria dar amor e ter amor retribuído.
Não acontece.
Queria não querer no futuro do pretérito...
Sim.
Queria sempre te querer...
Sim.
Queria te ter de noite até o amanhecer...
Não, isso não vai acontecer
Apesar de todo meu querer
E a lutuosa dor que carrego em meu ser
Não me permite mais ver
Que sim, não quero te perder.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Arcano XIII - A Morte

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