quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Mistério




Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.

Dos teus pálidos dedos delicados
Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende
Murmúrios por caminhos desolados.

Pelo meu rosto branco, sempre frio,
Fazes passar o lúgubre arrepio
Das sensações estranhas, dolorosas...

Talvez um dia entenda o teu mistério...
Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!

*Florbela Espanca*

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Nihil



Eu vou pensar em me matar
Eu vou tentar me matar
Eu vou chorar
Eu vou te odiar
E tudo vai passar

E meus dias ficarão preenchidos
Preenchidos com o vazio
Com o imenso vazio que te tornastes para mim
Contemplando cada gota de sangue que brota dos pulsos finos e cansados
Cansados de escrever tudo aquilo que você nunca irá saber

(Por Aneshka)