domingo, 31 de outubro de 2010

A Genialidade da Multidão





Há bastante deslealdade, ódio,
violência,
Absurdo no ser humano comum
Para suprir qualquer exército em qualquer dia.
E O Melhor No Assassinato São Aqueles
Que Pregam Contra Ele.
E O Melhor No Ódio São Aqueles
Que Pregam AMOR
E O MELHOR NA GUERRA
–FINALMENTE–SÃO AQUELES QUE
PREGAM
PAZ

Aqueles Que Pregam DEUS
PRECISAM de Deus
Aqueles Que Pregam PAZ
Não têm paz.
AQUELES QUE PREGAM AMOR
NÃO TÊM AMOR
CUIDADO COM OS PREGADORES
Cuidados com os Sabedores.

Cuidado
Com Aqueles Que
Estão SEMPRE
LENDO
LIVROS

Cuidado Com Aqueles Que Detestam
Pobreza Ou Que São Orgulhosos Dela

CUIDADO Com Aqueles Que Elogiam Fácil
Porque Eles Precisam De ELOGIOS De Volta

CUIDADO Com Aqueles Que Censuram Fácil
Eles Têm Medo Daquilo Que Não Conhecem

Cuidado Com Aqueles Que Procuram Constantes Multidões; Eles Não São Nada Sozinhos

Cuidado
Com O Homem Comum
Com A Mulher Comum
CUIDADO Com O Amor Deles

O Amor Deles É Comum, Procura O Comum
Mas Há Genialidade Em Seu Ódio
Há Bastante Genialidade Em Seu
Ódio Para Matar Você, Para Matar
Qualquer Um.

Sem Esperar Solidão
Sem Entender Solidão
Eles Tentarão Destruir
Qualquer Coisa
Que Seja Diferente
Deles Mesmos

Incapazes
De Criar Arte
Eles Não Irão
Compreender Arte

Eles Vão Considerar Sua Falha
Como Criadores
Apenas Como Uma Falha
Do Mundo

Incapazes De Amar Completamente
Eles Vão ACREDITAR Que Seu Amor É
Incompleto
E ELES VÃO ODIAR
VOCÊ

E Seu Ódio Será Perfeito
Como Um Diamante Brilhante
Como Uma Faca
Como Uma Montanha
COMO UM TIGRE
COMO Cicuta

Sua Mais Fina
ARTE

(Charles Bukowski)


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Continuação do conto "Amanda"




Cap. 2 O Copo D'água

Amanheceu o domingo para Amanda. O sol inundava de luz o porão velho e sujo, seus olhos estavam inchados e turvos, o pesadelo ainda não acabara.
O ranger da escada fez o coração dela disparar e os olhos procurar de onde vinha o ruído. M. trazia consigo um copo com água, apenas água.
Os olhos dela buscavam os olhos dele, mas por nenhum instante ele a fitou.
Ele diz: não grite.
Ele tira a mordaça, desacorrenta um pulso e entrega o copo d'água para Amanda, ela leva o copo até os lábios mas num impulso atira a água no rosto de M.
Silêncio.
Ele amordaça-a novamente enquanto a desobediente Amanda se debate com todas suas forças, em vão.
Amanda chorou pela primeira vez.
Suas coxas estavam retraídas e as lágrimas brotavam de seus olhos. M. arrancou sua calcinha e pôs uma bacia embaixo das nádegas de Amanda. Ele sentou e a observou... prostrada à fazer suas necessidades fisiológicas... ao som de um choro de constrangimento e humilhação.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Ama(N)da




Cap
. 1 O Plano

M. era um cara perturbado. Seus problemas obviamente não eram evidentes para os demais; alguns colegas de trabalho o achavam um pouco estranho com um semblante ora triste ora mal-humorado, mas nada fora do comum. M. não tinha muitos amigos e mesmo com os poucos que fizera ao longo da adolescência, com nenhum estabeleceu uma relação sólida para revelar seus segredos.
Quando chega o sábado, à noite ele vai procurar ela. Ela é a obsessão, é a dor e a cura das suas angústias. M. vai à bares em que Ela freqüenta só para observá-la de longe; ele pede algo pra beber, embora tome sequer um gole. Por um tempo ele pensou que era uma paixão, que era assim mesmo, que as pessoas se apaixonam mas não se declaram nem expressam os sentimentos de uma hora pra outra; mas o tempo foi passando e M. nunca conseguiu trocar uma palavra com sua "amada". Foi então que M. quis saber o quê afinal de contas sentia ele por Amanda, e ao rever seus pensamentos se deparou com seus piores medos.
M. nunca imaginou tratá-la como uma namorada, ou como qualquer outro homem à trataria; M. queria fazê-la sentir dor, ele queria ouvir seus gritos, gritos de medo e prazer. Isso o deixou assustado, mas depois se ele não a imaginasse sofrendo, um mau humor junto de uma dor de cabeça tomavam conta do seu dia.
Foi então que um plano foi traçado e tudo ocorreu com muito mais facilidade do que fora imaginado.
Após algumas "idas" ao tal bar que Amanda freqüentava, numa noite chuvosa ela se aproximou de M. e ofereceu uma bebida, ele recusou mas ofereceu-se para pagar o que ela quisesse. Eles sentaram numa mesa pequena num canto escuro, longe das outras pessoas. Amanda já estava embriagada e falava pelos cotovelos; M. muito atencioso à escutava sem fazer objeções, ele a deixou falar o quanto quisesse, aquilo estar acontecendo já era um grande passo para seu plano.
Chegada a hora de ir embora continuava chovendo bastante, M.ofereceu uma carona e Amanda prontamente aceitou. Passados 15 minutos dentro do automóvel, a moça dormira num sono profundo, e nesse momento M. a levou para sua casa, onde o porão já estava preparado para o dia em que Amanda nunca mais seria a mesma.
Cuidadosamente ele a tirou do carro e a carregou para dentro de casa (carregar o corpo quente e macio dela era sublime, melhor que isso só se ela estivesse gelada e rígida, pensava ele). Já na cama, suas mãos e pés foram amarrados com correntes e sua boca amordaçada. Chovia constantemente, estava tudo escuro e com o som de uma trovoada Amanda acordou-se.
Ela sabia que não era um sonho, por mais bêbada que estivesse, mas naquele momento ela não conseguia pensar muito menos se mexer; a luz de um raio iluminou a face do seu carrasco, que estava com os cabelos molhados sobre o rosto, e aqueles olhos azuis antes ternos agora pegavam fogo.
Ela gritou.
Era um som seco e gutural, vindo das suas entranhas e dos seus medos.
Ele se excitou.
Não tinha mais volta.
De súbito ele atirou o seu corpo contra o dela para sentir o cheiro e a respiração do seu objeto de desejo; ela, inutilmente tentava grunhir pedidos de socorro e isso o deixava cada vez mais excitado. M. voltou para sua cadeira aos pés da cama e com uma lâmina começou à fazer pequenos cortes em seu falo; Amanda ficou tomada pelo pavor, prevendo o que poderia lhe acontecer nos instantes seguintes. Com o pênis envolto em sangue, M. masturbava-se olhando fixamente para Amanda e ela tentava gritar sem cessar. Ele costumava se masturbar com freqüência após cortar-se; achava o sêmen um líquido desprezível, sem vida... ele desejava gozar sangue que é onde está a vida... e é onde a mesma se esvai.
Então por um instante ela parou de gritar e o encarou nos olhos e aquilo fez com que ele chegasse ao orgasmo, pois nesse momento um estava dentro do outro.