segunda-feira, 1 de agosto de 2011

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Algumas palavras de quem passa por isso há um bom tempo:
É uma ilusão.
Você só quer fazer a dor parar do jeito que te parece mais simples.
Mas ela nunca pára.
As lágrimas não rolam mais.
E tudo passa a perder o sentido.
O sangue escorre pelo seu corpo.
Suja a roupa, o chão, mas você já não se importa.
As lágrimas voltam e se misturam com o sangue.
Seu corpo fica mole.
Depois começa a coçar.
Você coça e abre os ferimentos.
Ai vem a vontade de fazer tudo de novo.
Passa tempos sem o fazer e se sente livre disso.
Mas é como uma praga, não pára.
Com o tempo os ferimentos ficam maiores, mais profundos.
Isso se torna uma droga, um vício.
As cicatrizes não somem.
Você faz de tudo para cobri-las.
Chega a ter medo de que as vejam.
Tem medo que os outros se afastem, família, amigos, seu amor.
Perde a liberdade de usar qualquer roupa.
Sempre repara nos corpos das pessoas ao seu redor.
Não encontrando as marcas nos outros, você sente vergonha.
Se sente derrotado.
E faz de novo.
Cada vez pior.
Com consequências piores.