quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Ama(N)da




Cap
. 1 O Plano

M. era um cara perturbado. Seus problemas obviamente não eram evidentes para os demais; alguns colegas de trabalho o achavam um pouco estranho com um semblante ora triste ora mal-humorado, mas nada fora do comum. M. não tinha muitos amigos e mesmo com os poucos que fizera ao longo da adolescência, com nenhum estabeleceu uma relação sólida para revelar seus segredos.
Quando chega o sábado, à noite ele vai procurar ela. Ela é a obsessão, é a dor e a cura das suas angústias. M. vai à bares em que Ela freqüenta só para observá-la de longe; ele pede algo pra beber, embora tome sequer um gole. Por um tempo ele pensou que era uma paixão, que era assim mesmo, que as pessoas se apaixonam mas não se declaram nem expressam os sentimentos de uma hora pra outra; mas o tempo foi passando e M. nunca conseguiu trocar uma palavra com sua "amada". Foi então que M. quis saber o quê afinal de contas sentia ele por Amanda, e ao rever seus pensamentos se deparou com seus piores medos.
M. nunca imaginou tratá-la como uma namorada, ou como qualquer outro homem à trataria; M. queria fazê-la sentir dor, ele queria ouvir seus gritos, gritos de medo e prazer. Isso o deixou assustado, mas depois se ele não a imaginasse sofrendo, um mau humor junto de uma dor de cabeça tomavam conta do seu dia.
Foi então que um plano foi traçado e tudo ocorreu com muito mais facilidade do que fora imaginado.
Após algumas "idas" ao tal bar que Amanda freqüentava, numa noite chuvosa ela se aproximou de M. e ofereceu uma bebida, ele recusou mas ofereceu-se para pagar o que ela quisesse. Eles sentaram numa mesa pequena num canto escuro, longe das outras pessoas. Amanda já estava embriagada e falava pelos cotovelos; M. muito atencioso à escutava sem fazer objeções, ele a deixou falar o quanto quisesse, aquilo estar acontecendo já era um grande passo para seu plano.
Chegada a hora de ir embora continuava chovendo bastante, M.ofereceu uma carona e Amanda prontamente aceitou. Passados 15 minutos dentro do automóvel, a moça dormira num sono profundo, e nesse momento M. a levou para sua casa, onde o porão já estava preparado para o dia em que Amanda nunca mais seria a mesma.
Cuidadosamente ele a tirou do carro e a carregou para dentro de casa (carregar o corpo quente e macio dela era sublime, melhor que isso só se ela estivesse gelada e rígida, pensava ele). Já na cama, suas mãos e pés foram amarrados com correntes e sua boca amordaçada. Chovia constantemente, estava tudo escuro e com o som de uma trovoada Amanda acordou-se.
Ela sabia que não era um sonho, por mais bêbada que estivesse, mas naquele momento ela não conseguia pensar muito menos se mexer; a luz de um raio iluminou a face do seu carrasco, que estava com os cabelos molhados sobre o rosto, e aqueles olhos azuis antes ternos agora pegavam fogo.
Ela gritou.
Era um som seco e gutural, vindo das suas entranhas e dos seus medos.
Ele se excitou.
Não tinha mais volta.
De súbito ele atirou o seu corpo contra o dela para sentir o cheiro e a respiração do seu objeto de desejo; ela, inutilmente tentava grunhir pedidos de socorro e isso o deixava cada vez mais excitado. M. voltou para sua cadeira aos pés da cama e com uma lâmina começou à fazer pequenos cortes em seu falo; Amanda ficou tomada pelo pavor, prevendo o que poderia lhe acontecer nos instantes seguintes. Com o pênis envolto em sangue, M. masturbava-se olhando fixamente para Amanda e ela tentava gritar sem cessar. Ele costumava se masturbar com freqüência após cortar-se; achava o sêmen um líquido desprezível, sem vida... ele desejava gozar sangue que é onde está a vida... e é onde a mesma se esvai.
Então por um instante ela parou de gritar e o encarou nos olhos e aquilo fez com que ele chegasse ao orgasmo, pois nesse momento um estava dentro do outro.

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