terça-feira, 27 de maio de 2008

Unwirklich


Noite de Ano Novo... uma festa peculiar, com muita gente, vinho, comida... fazia um frio intenso, e passamos a virada em cima do vinhedo... vendo os fogos de Dresden. Conversei quase toda a noite com Stefen e a Thea, pessoas mais do que interessantes.
Então...
Subi as escadas em meio à escuridão, fui direto ao segundo andar à procura do banheiro, pois era o único lugar que eu sabia que teria uma luz. Tateando paredes e objetos, achei algo com que parecera finalmente ser a chave de luz.
Caixas, livros, estátuas estavam esparramadas por todos os lados. Caminhei em direção à porta do quarto em que ficaria. Encontrei então mais caixas, tecidos e um roupeiro antigo com uma foto colada na porta.
Entrei no quarto onde ficava a cama. Era frio e a cama estava desarrumada com mais ou menos quatro edredons embolados. Logo acima da cama havia uma biblioteca; com fotos, diários e moedas esparramadas também.
Ao lado esquerdo havia uma pequena escrivaninha, uma cadeira velha com uma calça suja e um par de meias no chão. O chão era de madeira velha, com terra e muita sujeira. Fui em direção ao aparelho de calefação que ficara abaixo da janela. Já estava no nível quatro, mas parecia não funcionar.
Da janela enxergara apenas uma luz que vinha da rua, não definira-se bem as coisas, pois o vidro estara embaçado.
Soltei a minha bolsa num canto e arrumei a cama. Peguei uma almofada que tinha alguns símbolos orientais ou budistas, para não usar o travesseiro da dona da cama.
Apaguei a luz, mas a claridade da rua invadira o quarto.
Pensei um pouco, fechei os olhos e dormi.
Acordei mais tarde e a claridade tomara conta do quarto. Vesti minha roupa e esperei um pouco para descer.
Dirigi-me até a outra parte do quarto, onde ficara o roupeiro. Olhei pela janela e o sol refletira sobre a neve.
Olhei algumas fotos antigas que estavam por ali.
Foi tudo como um sonho, como se eu tivesse entrado na casa de alguém e o tempo tivesse parado e todas as lembranças dela estão espalhadas ali para quem queira vê-las. Era tudo interessante, mas ao mesmo tempo eu não queria mais ficar ali, pois tudo tinha um sentimento de saudade, nostalgia e esquecimento.

(por Aneshka. Alemanha, 01.01.01)

Nenhum comentário: