quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Mensageiro do vento


Realmente a madrugada pode ser assustadora... por diversos motivos, dos mais variados possíveis. No devido caso é minha mente que me aterroriza.
Sinto que alguém me observa.
Isso é fato.
Mas por quê?
Sentada na sala, em meu sofá, somente com a luz do banheiro acesa; olho em direção ao "Wa Clo", e lá está... uma caricatura bizarra estampada no box. Tem uma cara comprida e velha, olhos pequenos e odiosos. Me observa, me encara.
Mas não é esse que me intriga. À minha direita está a sacada, que me permite ter uma ampla visão das sacadas do prédio vizinho. É algo muito próximo, não mais que 5m.
Então uma luz de um dos apartamentos se acende. Largo meu copo e observo. Lembro que ali mora um homem, pois já o vi estendendo roupas... (na madrugada se não me engano). Então a luz se apaga, e aí me sinto exposta, pois sei que ele pode me ver mas eu não o posso.
Tudo bem... retorno à leitura do livro, então um barulho me faz voltar o olhar à janela; era um barulho da sacada do tal homem abrindo-se, e o tilintar de seu sininho o denunciava... e a sua luz, permanecia apagada.
Eu gosto do som que faz o objeto decorativo desse vizinho. Em várias noites de vento, chuva e solidão; foi ao seu som que meus pensamentos foram acompanhados. O lado sombrio disso é que às vezes ele balança sem o vento, ao menos é o que já vi.
Mas é possível acreditar e tudo o que se vê?
Não acredito nem em mim mesma, por que acreditar nessas bobagens?
Então dirijo os olhos ao banheiro novamente e lá está meu velho amigo, caricaturado no box, e me fita com desprezo, com esse olhar de um velho rabugento, achando que já viu de tudo.
E na minha frente, quem está? Minha silhueta funesta, refletida em uma tela de TV... pensativa, conturbada... doente.

*25.09.08*
(por Aneshka)

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