sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O Solitário


Não: uma torre se erguerá do fundo
do coração e eu estarei à borda:
onde não há mais nada, ainda acorda
o indizível, a dor, de novo o mundo.

Ainda uma coisa, só, no imenso mar
das coisas, e uma luz depois do escuro,
um rosto extremo do desejo obscuro
exilado em um nunca-apaziguar,

ainda um rosto de pedra, que só sente
a gravidade interna, de tão denso:
as distâncias que o extinguem lentamente
tornam seu júbilo ainda mais intenso.

*Reiner Maria Rilke*

Um comentário:

Alessandro Reiffer disse...

Quer dizer, então, que tens um blog! Bah, muito legal. Rilke é demais! Beijos.